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| Girafa moderna (Giraffa camelopardalis) |
Para compreender como isso ocorre é necessário entender como a evolução trabalhou nos últimos 30 milhões de anos.
Aqui tenho pesquisado literaturas cientificas bastante respeitadas e tenho descrito como a ciência interpreta a evolução dos animais, dentre os aqui já aqui descritos estão os elefantes, felinos, cetáceos, ursos e cães. Todos eles relativamente bem representados em registros fósseis, mas a girafa não segue esse padrão claro.
Apesar das girafas serem estudadas a muito tempo, antes e depois de Darwin, ainda sim a evolução da girafa permanece um mistério. Isso ocorre porque as evidencias de sua evolução são bastante controversas como veremos a seguir e nos impede de traçar o caminho preciso de sua evolução.
Muitos autores tentaram descrever sua evolução. Para o zoólogo Richard Dawkins a questão já esta resolvida, mas como veremos Dawkins apresenta a pior proposta evolucionista para explica a origem do grande pescoço da girafa.
Compreender a evolução da girafa exige conhecer um pouco da origem dos artiodáctilos.
O grupo dos artiodáctilos é constituído por animais mamíferos ungulados com número par de dedos nas patas. É um grupo com mais de 200 espécies descritas e engloba os bovinos, a cabra, os camelos, lhamas, gnus, antílopes, o hipopótamo, o porco e a obviamente a girafa.
Um dos ancestrais mais antigos do grupo dos artiodactilos é o condilartros, uma ordem pré-histórica de mamíferos que surgiu no final do período Cretáceo e desapareceram no Mioceno.
Compreendem o grupo dos primeiros mamíferos herbívoros da Terra, na qual mantém essa característica até os dias de hoje.
Cada dedo dos artiodactilos é bem desenvolvido, mas o segundo e o quinto são consideravelmente menores ou simplesmente ausentes.
Quando ausentes os ossos metapodiais fundem-se em um osso chamado de “canhão” que é único e as unhas se modificam em cascos.
Quando caminham, os artiodáctilos se apóiam nos dois dedos médios de cada pé, a única exceção é o hipopótamo cujos quatro dedos tocam o chão. Todos os artiodáctilos recentes, salvo o camelo, possuem cascos.
O caso da girafa é bastante peculiar porque seu sistema fisiológico é tão peculiar que desafia as teorias evolucionistas.
A principal especialidade da girafa é a circulação sanguinea. Bombear sangue exige câmaras do coração com músculos fortes e resistentes a pressão. O átrio e o ventrículo direito das girafas tem sua musculatura relativamente simples e sem especializações, pois envia o sangue para o pulmão. Entretanto, a musculatura que envolve o átrio e ventrículo esquerdo são extremamente avantajadas já que sua função é enviar o sangue a 4 metros de altura em direção a cabeça. Os vasos das pernas das girafas não se dilatam devido a espessura da pele, então toda pressão sanguinea é neutralizada e o sangue é obrigado a fluir naturalmente pela parte inferior do corpo.
Na base do crânio há um conjunto de vasos cuja parede também não se expandem e neutralizam a pressão sanguinea para que ela não danifique o tecido nervoso.
Sabendo disso o dilema evolutivo da girafa e seu grande pescoço começa a ser construído. Para isso vamos analisar três linhas de pensamento, a de Ulrich Kutschera, Richard Dawkins e de Kathleen Hunt.
Para Ulrich Kutschera os registros fósseis podem apresentar claramente os processos evolutivos que moldaram o pescoço dos ancestrais até o da girafa. De fato há muitos registros fósseis de girafideos e artiodactilos que estão ligados a evolução das girafas, mas que não permitem traçar um perfil evolutivo concreto, uma árvore filogenética que retrate com fidelidade a evolução desses animais.
De acordo com a linha de pensamento de Kutschera o pescoço da girafa teria aumentado gradativamente por processos cumulativos como procede com a idéia de Darwin, sem saltos seguindo a escalada de um monte como diria Dawkins.
Esse processo poderia permitir microevoluções ao longo de milhões de anos e com o tempo encontraríamos animais com pescoços grandes devido a ação da seleção natural, mas principalmente pela seleção sexual conforme discutiu Georges Mivart e Darwin em 1872. Hoje sabe-se que a seleção natural é o mecanismo mais fraco para explicar a evolução do pescoço das girafas. A seleção sexual explica melhor as razões para tal pescoço embora hajam outras teorias ligadas a termorregulação .
Portanto o pescoço grande teria uma motivação muito mais ligada a questão da conquista das fêmeas. Assim o pescoço grande adquirido pelos machos seria compartilhado com a fêmea como um “brinde” evolutivo como já documentado na literatura científica.
De fato, a evolução trabalha de forma cumulativa e geram espécies novas ao longo do tempo, mas esses processos micromutacionais não podem ser enxergados no registro fóssil principalmente na questão do aumento do pescoço. Não porque não existem, mas principalmente porque não ha um registro fóssil de girafa com pescoço média, ainda!
Há alguns evolucionistas que não acreditam que a seleção sexual tenha sido o principal mecanismo evolutivo no caso das girafas.
Para tirar as dúvidas a respeito da evolução das girafas foram feitas modelagens matemáticas que pudessem explicar quantas mudanças seriam necessárias para que um animal como a Ocapi de pescoço curto se transformasse em uma girafa.
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| Ocapi (Okapia johnstoni) |
A estimativa feita com base nas micromutaçao e que utilizada pelos criacionistas mostra que se considerarmos um animal intermediário para cada centímetro que o pescoço aumentasse seriam necessários pelo menos 200 indivíduos intermediários considerando uma girafa de pequeno porte até alcançar o tamanho de uma ocapi atual.
O problema é que essa analise tendenciosa considera cada milímetro um intermediário e o intermediário deve ser representado por uma espécie e não uma medida. A evolução pode não trabalhar de forma tão lenta movendo somente 1 milímetro por vez assim como é improvável modificar um pescoço em metros em uma medida de tempo pequena. Sem saltos mas sem lentidão.
Assim o mesmo calculo mostra que se as girafas tivessem se originado dos ancestrais dos okapióides seriam necessários mais de 1.000 intermediários.
Para cada um desses intermediários seria necessário ajustar também o número de genes que chega a 25.000 codificadores de proteínas e devido ao splicing alternativo mais de 90.000 proteínas, 300 ossos associados com 1.000 ligamentos e tendões 4000, 700 músculos, 100 bilhões de neurônios que constituem o sistema nervoso, 100.000 km de vasos sanguíneos todos ajustados para funcionar perfeitamente.
Isso parece impossível, mas não tem tanta diferença quando comparamos uma ocapia com uma girafa.
As girafas e ocapias tem o mesmo número de vértebras em seu pescoço, a diferença é o seu tamanho que influencia diretamente sua circulaçao sanguinea, portanto o sistema todo é resultado de uma evolução que sincroniza todo o corpo. Uma modificação do aumento do tamanho do pescoço leva a uma mudança na forma do corpo trabalhar.
Sob o ponto de vista dessas estimativas tendenciosas nem matematicamente nem experimentalmente seria possível dizer que as girafas evoluíram pelo simples fato de que os registros fósseis das girafas são inconclusivos. Um modelo bastante rígido e incoerente com a situação real não representada o mais próximo do suposto fato.
Não há intermediários de pescoço de tamanho médio. Isso é de fato um problema, mas não significa que eles não existam, é provável que ainda não tenham sido encontrados. Outro ponto bastante confuso dessa estimativa é que o que caracteriza um intermediário é uma constituição anatomica da espécie anterior e que esta ligada a sua linhagem ou espécie e não a indivíduos. Devesse separar intermediários de gerações.
Também não significa que há uma falha na evolução como um todo.
Ela simplesmente não apresenta uma resolução no caso da girafa pela falta de dados, isso caracteriza a evolução como uma ciência e não como um dogma.
Algumas pessoas argumentariam que a evolução seria um dogma e os modelos explicativos para o caso da girafa seriam apenas uma forma de manipular as evidencias para tendam a suportar a evolução como um todo... CONTINUE LENDO


